quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Coisas que os intercambistas têm que engolir


__Às vezes me perguntam por e-mail se os americanos são rudes com os estrangeiros. A resposta é não, muito pelo contrário. É verdade que durante meu período de trabalho nos EUA eu engoli certos desaforos, mas nada que não aconteceria comigo aqui no Brasil mesmo.
__Abaixo, alguns dos sapos engolidos por mim e meus colegas:

***********************************

__Eu estava trabalhando na recepção do Huntley Lodge, hotel que fica na estação de esqui que mais emprega intercambistas na região, o Big Sky Resort, quando uma hóspede apareceu louca da vida:
__-Eu tentei trocar esses ingressos do Moonlight Basin na bilheteria daqui, mas eles não me deixaram, e eu não consigo fazer essa troca em nenhum lugar.
__-Desculpe, senhora. Eu também não posso fazer essa troca. O Moonlight é outro resort. Embora os dois resorts sejam ligados, a gente só pode manipular os ingressos do Big Sky.
__-Não me diga que você não pode. Eu sei que você pode, mas a verdade é que você não quer.

************************************

__Minha colega brasileira Priscilla trabalhava comigo na recepção do Huntley Lodge quando uma senhora chegou enrolada numa toalha e lhe disse:
__-Eu não encontro uma porcaria de toalha naquela piscina. E ela está gelada!
__-Perdão, mam. Eu vou mandar umas toalhas agora mesmo e vou pedir para a manutenção checar a piscina...
__A senhora gritou:
__-Quem falou em piscina? Eu disse Hot Tub! Por que você não manda alguém para arrumá-la de uma vez?

*************************************

__De tempos em tempos, os funcionários do Huntley Lodge tinham acesso a um conjunto de reclamações e elogios feitos por escrito pelos hóspedes. Consultando esse relatório, tínhamos uma noção do que poderíamos melhorar no nosso trabalho. Certa vez, lemos a seguinte queixa feita por uma visitante:
__"Na próxima vez que eu visitar o resort, eu gostaria de ser atendida por alguém que fala inglês. Não tenho nada contra estrangeiros. Mas, na próxima vez, eu gostaria de ser atendida por um americano".
__Essa visitante provavelmente foi atendida por um intercambista que teve alguma dificuldade na hora de falar inglês. Acho que essa situação não se repetiria no nosso país, pois é difícil imaginar um americano tendo que trabalhar no Brasil e apanhar do português para conseguir pagar pelo seu programa de intercâmbio. Mas todos nós sabemos que o nosso povo sabe ser hostil e desonesto com os visitantes estrangeiros e que comentários preconceituosos contra vários países rodam por aí como fofoca, sendo que muitos desses comentários costumam sair da boca do próprio Presidente da República.
__Também é importante lembrar de uma prática irritante dos estrangeiros que trabalham nos EUA: quando eles não entendem o que um cliente americano pergunta, eles ficam sorrindo, fingindo que entenderam o que foi dito. Eu fiz isso no hotel onde trabalhava até levar uma bronca do meu chefe. Recomendo aos intercambistas que não tentem enrolar os clientes com sorrisos. Caso não entendam alguma palavra, peçam que o cliente a repita. Se ele usar expressões que o intercambista não conhece e sabe que não vai entender, é bom chamar alguém que domine melhor a língua para ajudar.
__Os americanos conhecem muito bem e odeiam essa tática de ficar sorrindo e fingindo que entendeu.

***************************************

__O Huntley Lodge recebia os hóspedes às 4 horas da tarde. Às 10 da manhã, esses hóspedes deveriam deixar o hotel ou pagar uma nova diária. Embora todos eles fossem informados dessa regra várias vezes, muitos gostavam de ficar enrolando no quarto e acabar saindo depois da 1 da tarde. Por isso eu deveria telefonar para os quartos dos enrolões todas as manhãs e informar mais uma vez sobre o horário de saída.
__Certa manhã, liguei para o quarto de uma hóspede atrasada para lembrá-la da regra. Eram aproximadamente 11:30.
__-Alô?
__-Bom dia, mam. O horário de saída é 10 da manhã, então eu estou ligando para saber quando vocês pretendem sair ou se vocês pretendem extender a reserva.
__-Ah, sim. Eu vou sair às 2 da tarde hoje, mas não vou extender a reserva.
__-Entendo. Bem, na verdade, como o horário de saída é 10 horas, a senhora precisa falar diretamente com a gerente do hotel para pedir esse horário especial...
__-Não, não, não. Você não está entendendo. Eu não vou pedir nada. Eu só estou deixando você saber que eu vou sair mais tarde.
*****************************
www.viagemeua.blogspot.com

domingo, 2 de setembro de 2007

Raízes



__O número de recepcionistas que trabalhavam comigo variava de acordo com o número de visitantes do hotel. Naquele dia, trabalhávamos eu e um americano. Tínhamos poucos hóspedes circulando pelo lobby e já havíamos recebido quase todos as pessoas que estavam para chegar. O tédio começava a tomar conta de nós. Conversa vai, conversa vem, começamos a falar sobre viagens. Perguntei:
__-Sabe para onde eu gostaria que fosse minha próxima viagem internacional?
__-Onde?
__-Irlanda.
__-Muito boa idéia. A Irlanda é demais! Eu sou irlandês.
__-Irlandês? Eu sempre achei que você fosse americano.
__-É. Eu nasci nos Estados Unidos, mas eu sou Irlandês.
__-Como assim? Se você nasce nos Estados Unidos, você é americano. Seus pais são irlandeses?
__-São.
__-Quando eles vieram para os Estados Unidos?
__-Não... eles nasceram nos Estados Unidos também.
__-Então como é que vocês são irlandeses?
__-É que meus bisavós vieram da Irlanda.
__-Haha! E por isso você é irlandês?
__-Claro!
__-Você fala irlandês?
__-Não.
__-Já visitou a Irlanda?
__-Não, mas pretendo visitar um dia.
__-E o que você faz nos feriados irlandeses?
__-Cara, o San Patrick's Day é mais importante do que Natal para mim. Eu começo a beber logo que acordo.
__-Se você é irlandês só porque seus avós são, então eu sou alemão, porque meu bisavô era alemão e minha avó aprendeu a falar português só depois dos seis anos.
__-Isso, então você é alemão.
__-E eu também sou italiano, porque meu bisavô por parte de mãe era italiano.
__-Isso. Você é italiano também.
__-E também sou português, porque um avô meu é descendente de português.
__-Isso.
__-Claro que não, cara! Eu nasci no Brasil, então eu sou brasileiro!
__-Claro que não! Você é italiano, alemão e português.
__-Isso não faz o menor sentido.
__-Claro que faz. Eu não sou americano só porque nasci aqui. Eu sou irlandês, já que meus ancestrais vieram da Irlanda.
__-E quem são os americanos então?
__-As pessoas que vêm daqui.
__-Só os índios vêm daqui. O resto veio de fora, assim como no Brasil. Como é que você sabe que seus ancestrais da Irlanda não são descendentes de pessoas que vieram de outros países?
__-Pode ser. Mas os moradores da Irlanda estão lá há milhares de anos.
__-Como é que você sabe?
__-Eles ensinam isso na escola. Não ensinam isso no Brasil? Vocês não estudam Revolução Francesa?
__-Claro que sim. Mas seus tataravós poderiam ter nascido em um país qualquer e depois terem se mudado para a Irlanda. Como é que você pode dizer que você é irlandês se você não sabe de onde seus tataravós vêm? Você pode ser africano. Como você sabe que você não é da África?
__-Cara, eu acho que você não sabe do que você está falando. Eu sou irlandês e tenho orgulho de ser irlandês.
__Não vejo muito sentido no orgulho nacional. Se não deveríamos ter orgulho da nossa cor branca, preta, vermelha ou amarela, que nascem conosco, por que deveríamos ter orgulho da nossa nacionalidade, que também nasce conosco?
__Posso perceber alguma coerência naqueles que dizem ter orgulho do país e, por isso, vivem no país, mesmo tendo a chance de abandoná-lo. Já a atitude de quem tem orgulho de um país no qual nunca morou, nunca visitou e cuja língua ele não fala, eu acho particularmente estúpida.
***************************
www.viagemeua.blogspot.com

quarta-feira, 25 de julho de 2007

NOTICIA IMPORTANTE

Em meio a toda essa polemica das datas do consulado recebi hoje uma ligação importantissima da IE.

Atenção! Prestem bem atenção! Estão sentados? Se não estiverem, sentem-se

Lembra que o consulado iria exigir retorno nas datas das férias? Lembrou? Agora esqueça!!!! Isso mesmo. O consulado voltou atrás devido a pressões do sponsor, dos empregadores, da agência... Agora TODOS os estudantes que estiverem aplicando para o visto J-1 terão seu visto concecido até 15 de Março SEM precisar comprovar férias até essa data. Não, não é piada. Não, não é primeiro de Abril. A IE está atualmente ligando para os clientes para informar essa novidade!

Segue o trecho do email que confirma essa noticia

"Por último, aviso a todos vocês de uma mudança que sem dúvida será muito bem recebida por vocês, pelos empregadores e pelos alunos. Depois da reunião, recebemos vários emails argumentando a nova regra que exigia que os alunos voltassem no começo das aulas. Neste ano, a data que será exigida a todos é 15 de março, apesar de muitas faculdades começarem suas aulas em fevereiro. Sugiro que considerem este ano como um ano de transição."

Então hora de sair pra comemorar. E desculpem qualquer erro gramatical ou falta de qualidade no texto. A emoção e a felicidade estão tomando conta do meu ser!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Email? Do Consulado? SIMMM! E vc?

E hoje faz-se historia... Ao menos aqui para o blog. Ineditamente, posto algo acontecido hoje mesmo. E dessa vez não vou dar uma de politica e prometer postar mais. Posto quando der... E imploro perdão até lá! :)

Confesso que faz uma semana que não leio comunidades do orkut. Shame on me. Estou completamente por fora dos recentes acontecidos. Não saberia sobre as entrevistas do consulado sendo marcada não fossem por amigos empolgados e comunicativos. Uns dois já vieram me falar, felizes da vida, que suas entrevistas no consulado tinham sido marcadas. Fico alegre por eles, festejo e anoto mentalmente "enviar DSs para a IE". Eu sei, estou relapsa. Isso de trabalhar interfere no WE. Mas como eu também quero uma entrevista só para mim, resolvo-me a mandar essa semana.

Bela manhã (praticamente tarde) de quarta-feira, no msn, conversando com um amigo e fellow intercambista, quando o seguinte dialogo acontece:

- Você já recebeu o e-mail?
- E-mail de que?
- Do consulado
- Ainda não... Tenho que mandar meus DS. rssss
- Mas eu não mandeeeei. Não precisa de mandar os dsss. Olhe no spam do seu email.
- Então... Então... Vou olhar.

E fui mesmo. Entre as centanas de spam do meu emailzito lindo, perdido entre anuncios de premios de loterias ganhos (ah, quem dera) e pilulas para melhorar o desempenho sexual (sexo errado, honeys), eu vejo... Contato Visto Online - Informações sobre o agendamento.

Abro o e-mail ansiosamente... E lá está a data mágica. A data da verdade. O dia em que eu vou saber se vou para os Estados Unidos ou para um hospital, em consequencia do colapso nervoso provocado pela negativa (dramática nada a menina, não acham?). Recife aí vou eu.... dia 24 de setembro às 10h da manhã!

Então fica aqui o conselho. Olhem seus spams! Seu e-mail do consulado deve estar lá. E fica também a promessa. Dia 24 ou 25 eu posto o resultado da entrevista!

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Respeito ao trabalho


__O pagamento mínimo praticado em Big Sky é de US$ 7,25 por hora trabalhada. Em outras partes dos Estados Unidos, esse valor cai para até US$ 5,15. Alguém que trabalha 21 dias por mês, 8 horas por dia, ganha US$ 865,20, o que equivale a 1643,88 reais. Só há uma situação em que uma empresa pode pagar menos do que o equivalente a 1643,88 reais mensais a um trabalhador na terra do Tio Sam, que é quando um empregado exerce uma atividade tradicionalmente remunerada por gorjetas, caso dos atendentes de bar e restaurante e dos camareiros de hotel. Como as gorjetas são altas e vêm em grande quantidade, esses trabalhadores ganham muito mais do que a remuneração mínima estabelecida por lei.
__A maior parte dos intercambistas com quem convivi chama essa remuneração mínima americana, maior do que quatro salários mínimos brasileiros, de respeito ao trabalho. Eles entendem que, nos Estados Unidos, dá-se muito mais respeito a um faxineiro do que se dá no Brasil, e que essa é a razão do pagamento mínimo de 1643,88 reais mensais. Eu discordo dessa posição.
__Trabalhei nos Estados Unidos por quatro meses e viajei por dois meses. Não me lembro de ter percebido esse respeito maior pelas profissões em relação ao Brasil. Vi os faxineiros recebendo dos seus chefes o mesmo tratamento que recebem aqui. Fui colega de muitos deles no Big Sky Resort. Vi os visitantes do resort xingando os recepcionistas de incompetentes também da mesma forma como sempre vi na minha terra. Um gerente me contou risonho e orgulhoso sobre a subordinada com quem acabara de gritar e fizera chorar . Ainda vi gerentes gerais sendo tratados com desrespeito sem tamanho por consumidores. Quero relatar dois casos que presenciei para evidenciar meu ponto de vista.
__Depois que os visitantes do resort compram um ingresso para esquiar, eles dirigem-se a um teleférico para subir alguma montanha. Na entrada do teleférico, os ingressos das pessoas precisam ser checados por um funcionário que usa um leitor de código de barras. Como os empregados checam centenas de ingressos por dia, eles não são capazes de se lembrar dos rostos dos visitantes que acessam um mesmo teleférico mais de uma vez, o que obriga esses empregados a checar vários ingressos mais de uma vez. Certo dia, um pai se irritou com uma empregada que quis checar duas vezes o ingresso do seu filho. Foi com a criança até a bilheteria para falar com o superior da trabalhadora, que também era o meu superior e era o gerente do serviço de atendimento ao cliente para ingressos.
__O pai fez questão de não se comportar respeitosamente. Entrou na bilheteria batendo nas mesas e nas paredes de madeira, gritando e alardeando sua raiva e sua insatisfação com a estação de esqui. Embora o gerente não tenha levantado a voz, o cliente gritava cada vez mais alto. Seu ataque mais nojento foi esse:
__-Você tem segundo grau? Eu sou doutor!
__Também teve a vez em que um hóspede bateu boca com a gerente do hotel em que eu trabalhava. O visitante era proprietário de um dos quartos do hotel. Esse quarto poderia ser usado por qualquer hóspede a qualquer época do ano, mas deveria ser reservado com antecedência para os seus proprietários quando estes quisessem usá-lo. Por um erro da administração, o quarto em questão estava sendo usado por um outro hóspede quando os proprietários, um casal de 40 anos, chegaram no hotel.
__Primeiramente, o gerente da recepção explicou respeitosamente o problema para os proprietários assim que eles apareceram para o check in, e disse que a gerência já estava trabalhando numa solução rápida. A mulher tirou o ar dos pulmões para enchê-los com arrogância e dizer:
__-Eu quero falar com o seu superior!
__Veio a gerente do hotel para a recepção. Conhecida por sua calma, simpatia, educação e carisma, ela explicou suavemente e com sincero pesar o erro cometido pelos funcionários, pediu perdão e também prometeu uma solução rápida. Então foi o homem quem tentou chamar a atenção do mundo para si. Ele gritou, para que todos ao redor pudessem calcular quanto dinheiro ele havia acumulado ao longo da sua vida:
__-Eu não paguei meio milhão de dólares nesse quarto para passar por isso!
__A mulher voltou a falar:
__-Mais de meio milhão! Queremos falar com o seu superior. Você é a gerente do hotel? Não é possível que não tenha ninguém acima de você com quem eu possa falar!
__Não caberiam aqui todas as histórias sobre os chefes de alguns serviços do resort que não conhecem as expressões "obrigado" e "por favor"; das vezes em que clientes debochavam dos erros cometidos por empregados ou da sua falta de habilidade com o inglês e das vezes em que o empregado dizia ter ordens para não realizar determinada alteração de datas de reservas de quarto de hotel ou valores de ingressos e o cliente xingava o trabalhador de preguiçoso que inventa desculpas para não fazer o que deve.
__Minha opinião vem desses episódios aos quais assisti diariamente por seis meses. Chefes e clientes que adoram colocar o dedo na cara do empregado e envergonhá-lo quando ele está trabalhando honestamente e tentando dar o seu melhor marcam os dias dos trabalhadores americanos, da mesma forma que acontece no Brasil todos os dias.
__Se não há maior respeito pelo trabalho nos EUA, porque o pagamento é tão alto para atividades que no Brasil são tão mal remuneradas?
__A resposta está no balanço entre oferta e procura de mão-de-obra. Placas chamativas onde se lê "contratando" estão espalhadas pelas áreas de comércio e de serviço das pequenas e grandes cidades americanas. Tendo tantas opções de emprego, cidadãos só aceitam trabalhos pesados se for para ganhar bem. No desespero para gastar menos com empregados, os cassinos, estações de esqui, hotéis e lojas de conveniência "importam" trabalhadores jovens, os intercambistas, para serviço temporário. Nesse tipo de emprego, os intercambistas são pagos como nunca foram antes nos seus países com menor vigor econômico, mas não por uma questão de respeito ao trabalho, e sim em função da escassez de trabalhadores na região do empregador americano.
__Reconheci o ato de dar gorjeta como demonstração de respeito até pouco tempo atrás. Uma conversa com uma amiga americana me fez rever esse conceito. Estávamos num metrô de Nova Iorque quando vi uma oferta de emprego estampada perto do teto. A placa dizia que, além do salário, o trabalhador ganharia tips, palavra inglesa para gorjetas. Do lado do anúncio em inglês, vi o mesmo anúncio em espanhol, que traduzia a palavra tips como propinas. Comentei com a minha amiga:
__-Aquela palavra em espanhol ali no anúncio, propinas, significa algo como "suborno" em português. É quando você paga alguém para fazer algo desonesto.
__Ela nem pensou para responder:
__-No fundo é tudo a mesma coisa. A gorjeta é um suborno. Você dá uma gorjeta para ser bem atendido, sendo que deveriam tratar todos bem, com ou sem gorjeta.
__Não sei até onde essa opinião da minha amiga representa a opinião geral dos "gorjetistas" americanos. Mas, se é assim que os americanos vêem a gorjeta, como um suborno, ela com certeza não representa respeito ao trabalho. A gorjeta vista assim se parece mais com a nota de um real que os proprietários de carro dão aos meninos das ruas para que não risquem seus carros, ou com as moedas dadas aos limpadores de vidro dos semáforos, para que eles não coloquem a cabeça na janela e intimidem o motorista com um olhar agressivo.
********* *****************