segunda-feira, 16 de abril de 2007

Intercâmbio Escravo by IstoÉ

Intercâmbio escravo

O drama dos estudantes brasileiros que vão para o Exterior em busca de melhor formação e acabam escravizados nas mãos de quadrilhas internacionais.

Por Hugo Marques e Carina Rabelo

Nove entre dez famílias brasileiras sonham um dia mandar seus filhos para o Exterior. Desejam que eles possam estudar, trabalhar, dominar mais de um idioma, conhecer outras culturas e que voltem qualificados para enfrentar um mercado altamente competitivo. É um desejo absolutamente legítimo, que tem se tornado cada vez mais possível. Nos últimos cinco anos, segundo pesquisa realizada pela Association of Language Travel Organizations, maior entidade de empresas de intercâmbio do mundo, o Brasil se transformou no quarto “exportador” de estudantes do planeta, responsável por 32% dos jovens que cruzam oceanos em busca de melhor formação, ficando atrás apenas de Japão, Espanha e Alemanha. No ano passado, pouco mais de 70 mil brasileiros deixaram o País em programas de intercâmbio. Para este ano, a estimativa é de que o número de brasileiros nesses programas supere os 94 mil. O problema é que o crescimento desse mercado trouxe consigo uma série de armadilhas até agora pouco conhecidas dos brasileiros. Ninguém está imune a elas e não são raros os casos em que o sonho se transforma em dramático pesadelo, com os jovens sendo submetidos a trabalho escravo.

Extrovertida, alegre, filha de médicos bem-sucedidos, Nathália de Souza e Castro, 21 anos, desembarcou no aeroporto de Miami em 14 de dezembro do ano passado. Estava certa de que começaria ali a viver “os dias mais felizes de sua vida”. Na verdade, começava a protagonizar um filme de terror, como ela mesma define sua passagem pelos Estados Unidos. Queria aperfeiçoar seu inglês e conhecer uma outra cultura. Quando saiu do avião, Nathália ficou dez horas enclausurada dentro de uma van na companhia de outros brasileiros. Depois, todos foram levados ao Burger King. “Comam porque vocês não sabem a próxima vez que vão comer!”, gritava o motorista, um armênio chamado George, que de vez em quando dava um cascudo no seu auxiliar, o mongol Eddy. Quando deixou o Brasil, Nathália e outros estudantes de Brasília assinaram um contrato determinando que o grupo iria trabalhar junto em um mesmo local nos EUA. Lá, ela e sua amiga Paola Carvalho foram levadas para a cidade de Naples, a 40 minutos de Miami. As duas trabalharam em uma loja chamada Alvim, cujo proprietário chama-se Yosban. Duas semanas depois, foram levadas para a fábrica Sun Art, de Aras Khurshudyan, em Hollywood. No chão do quarto do apartamento onde elas foram morar, apenas dois colchões de ar. E muita barata. “Os colchões esvaziavam e acordávamos no chão frio”, diz Paola. As duas trancaram a porta do quarto para dormir, pois descobriram que teriam de dividir o apartamento de dois quartos com Aras, o motorista George e o auxiliar Eddy. “Era horrível, não sabíamos quem estava dormindo ao nosso lado”, lembra Nathália.

As jovens tiveram de comprar talheres, pratos e panelas. Nos galpões da fábrica trabalhavam com colombianos, mexicanos, peruanos e outros brasileiros, muitos ilegalmente nos EUA. Produziam e embalavam estampas de camisetas. Ninguém falava inglês. Comiam na calçada, em rápidos intervalos. Trabalhavam das 9 horas às 22 horas e tinham direito a 30 minutos de almoço. Não sobrava tempo para estudar. Pelas duas primeiras semanas de trabalho, Nathália recebeu US$ 230. Paola recebeu US$ 165. O dinheiro não deu para pagar o que elas gastaram com alimentação e venenos para matar as baratas do quarto. Mais duas semanas de trabalho e resolveram voltar, depois de conseguir contato com as famílias no Brasil. Paola ainda teve de devolver US$ 21 ao empregador, como restituição pelo uso do alojamento. Resultado de um mês de trabalho: US$ 143. Aras tem o hábito de beber e gosta de ficar “cantando as garotas”, como diz Nathália. Desesperada com as notícias que recebeu da filha, a mãe de Nathália, Maria de Fátima, foi pessoalmente aos EUA para trazer a garota de volta. “A perda da ilusão destes jovens é maior do que a perda monetária”, lamenta Maria de Fátima.


Nathália e seus amigos foram vítimas de um tipo de intercâmbio que requer cuidados especiais: o Work and Travel, ou Trabalhe e Viaje. A modalidade ganhou prestígio internacional após os ataques terroristas de 2001, quando os Estados Unidos – destino preferido por 48% dos brasileiros – adotaram a política de endurecer contra os clandestinos e ao mesmo tempo ampliar o número de vistos para absorver trabalho temporário. Nesse contexto, diversos jovens são vítimas de uma quadrilha que atua basicamente na Flórida, promovendo o intercâmbio escravo. Os estudantes são impedidos de falar inglês e ganham pouco mais de 10% do salário de um trabalhador clandestino. Os donos das empresas providenciam moradia, mas cobram tarifas de luz e aluguéis extorsivos. No final do mês, a exemplo do que aconteceu com Paola, muitos ficam devendo dinheiro aos empregadores. O esquema envolve empresas de sete cidades da Flórida, segundo os relatos dos jovens, e explora centenas de pessoas.

Diego Critter Melhado, 20 anos, de Campinas, no interior paulista, chegou a Miami no dia 18 de dezembro, trabalhou dois dias e no terceiro desistiu do emprego. Ele trabalhava numa fábrica lavando com as próprias mãos as telas de alumínio utilizadas em serigrafia, sujas de tinta. Diego tinha de misturar produtos químicos e não recebeu máscaras nem luvas. “Tive vários pequenos cortes nas mãos e aquilo ardia muito nos olhos”, lembra. Ele morava com três amigos, todos submetidos a trabalho escravo. No apartamento de um quarto só havia quatro colchões de ar, dois deles furados. “Tivemos de pagar adiantado US$ 2,6 mil de aluguel para sermos liberados pelo empregador”, diz o rapaz. “É trabalho escravo.” Os rapazes de Campinas fecharam contrato com a empresa brasileira Experimento Intercâmbio Cultural. “A Experimento não nos ajudou em nenhum momento”, reclama. Eles procuraram o consulado brasileiro em Miami, que os encaminhou para o advogado Joel Stewart. Mas o advogado disse aos jovens que os contratos de emprego estavam irregulares e que nada podia fazer. Quando os estudantes falavam em procurar o consulado, os empregadores ameaçavam e diziam que tinham o controle sobre o visto. A gerente da Experimento, Patrícia Zocchio, lamentou o tratamento que os estudantes receberam no Exterior. Ela afirma que a empresa realizou todos os esforços para “recolocar” os jovens em outro trabalho. A mãe de Diego, Márcia Melhado, quer a devolução de tudo o que gastou. “Eles extorquiram o dinheiro dos meninos”, reclama Márcia.

A promessa feita pela maioria das 70 empresas que enviam estudantes para o Exterior é de um emprego digno ao longo de uma temporada de até quatro meses. Cada jovem gasta entre R$ 10 mil e R$ 12 mil com passagens, taxa de agência e outras despesas. As empresas de intercâmbio costumam cobrar R$ 3 mil de cada jovem, só de taxas. Mas nada assegura que por trás de uma fachada bem montada não haja uma arapuca. O estudante André Lima, que trabalhou um mês em Miami, diz ter conhecido vários outros brasileiros vivendo em condições subumanas. Além de Naples e Hollywood, ele diz que o esquema tem lojas em Cocoa Beach, Anna Maria Island, Clearwater e Fort Lauderdale. Uma das agências nos EUA que providenciaram os falsos empregos para os brasileiros é a Aspire Wordwide. “Esperávamos uma resposta melhor da Aspire”, lamenta Natália Payne, responsável pela Bex, agência brasileira que mandou seis jovens de Brasília para as mãos do esquema. Ela admite que os jovens pagaram taxas extorsivas. Cada um tinha que entregar US$ 71 para pagar energia elétrica na residência coletiva. Um mesmo apartamento de dois quartos acomodava até dez pessoas. Mesmo em residências coletivas, esses jovens pagaram US$ 422 de aluguel e caução. Bex e Aspire romperam o convênio assim que ISTOÉ começou a investigar o intercâmbio escravo, há três semanas.

“Não tenho o que comentar”, disse Sara Molan, a responsável pela Aspire em Laguna Beach, na Califórnia. Aras Khurshudyan, um dos empregadores identificados, também se recusou a atender a reportagem. “É lamentável que isso ocorra, mas o governo dos Estados Unidos vistoria essas agências e empresas que cuidam de intercâmbio e com certeza tomará providências”, diz Tatiana Visnevski, presidente da Brazilian Educational & Language Travel Association – entidade que congrega 70 empresas brasileiras de intercâmbio. Os pais que tiveram os filhos humilhados, no entanto, não estão dispostos a esperar que o governo americano tome providências e já planejam a adoção de uma série de processos tanto aqui como lá. A advogada Maria Bilotta, tia de Flávia Escobar, outra vítima do esquema, afirmou que os processos no Brasil serão apresentados com base no Código de Defesa do Consumidor. “As agências não cumpriram contratos e fizeram propaganda enganosa”, constata. Aos 22 anos, Flávia chegou este mês dos EUA e se diz traumatizada. “A gente não podia conversar em inglês, não podia sentar, a gente tinha que estar sempre trabalhando.” A estudante Elisa Carvalho, 21 anos, ficou irritada ao saber que ganharia US$ 6 na segunda quinzena de trabalho. “Infelizmente, tem muita gente lá que aceita essas condições por falta de opção melhor no Brasil”, diz Elisa.

Joel Stewart, advogado do consulado brasileiro em Miami diz que de fato alguns jovens brasileiros têm feito reclamações sobre as condições a que ficam submetidos, mas assegura que o problema está mais no Brasil do que nos Estados Unidos. “Esses programas não concretizam em contrato todos os detalhes necessários. A culpa é das agências brasileiras, que contratam essas pessoas e nada explicam. É uma bagunça”, acusa o advogado. Ele sugere que antes de viajar os jovens coloquem no contrato todos os detalhes do programa, como salário, condições de moradia e tipo de emprego. No Brasil, o Itamaraty pediu às famílias que apresentem denúncia formal na Divisão de Assistência Consular, em Brasília, pois assim o governo poderá promover uma ação coordenada com o governo dos Estados Unidos para coibir qualquer tipo de exploração de mão-de-obra semi-escrava de brasileiros. “Essas empresas têm que ser identificadas para que respondam juridicamente”, diz o secretário Acir Pimenta. “O Itamaraty vai instruir os postos no Exterior a fazer representações para evitar que os jovens sejam enganados”, promete.

Com a rápida expansão do mercado de intercâmbio, as agências no Brasil oferecem dez tipos de programas no Exterior. O trabalho remunerado é o que tem mais crescido nos últimos cinco anos. O programa é para jovens entre 18 e 30 anos, que tenham bom nível de inglês. Até então, um dos mais procurados era o Programa High School, pelo qual os estudantes entre 14 e 19 anos podem ficar até 12 meses na casa de uma família americana, para terminar o segundo grau. Mas, nesses casos, as famílias podem e devem ser bem escolhidas.

Atraso

Peço desculpas pelo longo tempo sem postagens... Estava sem inspiração e simplesmente ocupada demais. Buuutttt, this week I'm gonna make amendments! ^^

O chat de ontem (domingo, 15/04) foi simplesmente o máximo e extremamente inspirador. Agradeço a participação de todos, peço desculpas aos que não chegaram a tempo ou não puderam entrar. O resumo das informações trocadas no chat será postado depois, aqui no blog e nas comunidades.

E people! Comentem no blog!!!! É legal, rápido e me faz feliz!!! :)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

É oficial... EU VOU!

Segunda-feira, 02 de Abril de 2007

Dia normal, tinha voltado da porcaria da aula de Processo Civil e estava conversando besteiras (tem coisa melhor?) com minha prima enquanto nerdava tranquilamente no pc, brigando com o torrent que se recusava a pegar rápido e dando mais um refresh nas comus do orkut sobre o WE.
Telefone toca, nem ligo. Não era para mim mesmo, dificilmente era... Até que vem o grito... "Maya! É do intercâmbio lá!". Eu praticamente corro para o telefone. Daniela da IE, do outro lado da linha, me perguntando se eu já havia me decidido pelo programa e se (ou quando) ia fechar com eles. E também dizendo que eu devia aproveitar o câmbio do dia (quem entrou em contato com a IE ou viu a planilha, sabe que existe um câmbio especial da agência para depositos bancários em reais) de 2,19.

Como alguns sabem, outros suspeitam e a maioria desconhece, eu tinha voltado a ficar em dúvidas com relação a agências. Dessa vez a briga era entre IE e BEX, simplesmente por conta da proposta mais baixa da BEX. Embora eu estivesse mais inclinada pela reputação da IE, pela assistência e preocupações oferecidas, o preço da BEX me tentava. Estando nessa dúvida, me despedi da Daniela dizendo que ainda ia pensar.

Voltei para o pc, porém já sem a tranquilidade anterior. O representante da BEX não respondia minhs dúvidas, tinha a matéria da Istoé, a experiência da IE, o câmbio mais baixo, entre milhares de outros pensamentos que passavam pela minha cabeça. Até que, num impulso, corri atrás da minha mãe... "Posso sacar o dinheiro hoje e pagar logo a agência? O câmbio tá mais baixo e blá blá blá".

Minha mãe disse pela vigésima vez que o dinheiro era meu, eu que me virasse para resolver, mas que se desse alguma merda não tinha mais e eu não viajaria. Com um rápido ok concordando com isso e o sinal verde da chefa, sai correndo de casa para ir até a agência da Caixa Econômica mais próxima. Quarenta minutos de fila depois, eu estava sacando a quantia de R$4574,12 centavos para depositar no Banco Real vizinho. Corro para o Real. Meros quinze minutos de fila e o deposito está efetuado e eu estou com o comprovante no bolso. Coração a mil por hora. Eu estava pagando a agência e ia viajar. Cada vez mais era real.

E lá vai sair correndo feito uma louca pelas ruas próximas, procurarando pela danada da papelaria com fax que eu sabia que tinha por perto. Envio o fax, ligo para a IE. Devidamente recebido por eles. Em breve iriam me ligar para terminar o processo de cadastro.

Minha mãetrocinadora, sabendo que eu estava na rua e resolvendo aproveitar o fato, pede para comprar algumas coisas para ela... Vou, porém agoniada, sabendo que, com certeza, a IE iria me ligar enquanto eu estivesse na rua... Tudo culpa do maldito Murphy.

E quase que perco a ligação. Terminei minhas tarefas de boa filha e entrei no carro. Na hora em que ia ligá-lo, o telefone toca. E lá vai a troca de dados... Nome completo, data de nascimento, nome dos pais, RG, CPF, telefone de contato, tamanho da camisa e mais outros detalhes. Pronto. Eu era a mais nova participante do Work Experience da IE. É oficial, não tem mais volta. Cadastro efetuado e tudo pago. Eu ia. Eu vou. Eu VOU!

Aqueles que já fecharam agência sabem do que estou falando... Fechar é simplesmente maravilhoso. A sensação de "eu vou, é de verdade" é impagável (na verdade é... custa menos de 5 mil reais... :D). Para aqueles que ainda vão fechar, eu digo... Vocês vão entender... E amar. :D

terça-feira, 20 de março de 2007

Planejando o orçamento

Odeio matemática. Sempre detestei. Acho que a grande maioria concorda comigo... Mas nunca fiz tanta conta desde que saí do colégio. A calculadora que você tinha certeza que ia ficar escondida dentro da sua última e mais inacessível gaveta, será sua nova melhor amiga. É ela que vai tentar manter sua sanidade enquanto vc se vê cercada e quase afogada por papéis e mais papéis cheios de números não muito baixos.

Planejar o orçamento é uma parte importante. Saber quanto vai gastar e onde. Quanto vai ganhar e se no final houve lucro ou prejuízo. Obviamente para ter todas essas informações, você precisa saber quanto vai ganhar, quanto tempo vai ficar pelos Estados Unidos e quanto vai gastar por lá.

E por outro lado, planejar com cuidado essa etapa pode (e provavelmente irá) até influir na escolha da agência e modalidade. Se duas agências oferecem um serviço perfeito e dentro das suas exigências, o preço pode ser o diferencial.

Qualquer orçamento precisa levar em conta os seguintes fatores:

Gastos no Brasil
- Programa (taxa de inscrição, valor do programa, etc)
- Taxas consulares (SEVIS, visto, etc)
- Passaporte
- Passagens aéreas (Brasil, Brasil-EUA, EUA-Destino)
- Dinheiro para levar (casa e comida até o primeiro paycheck)

Gastos nos Estados Unidos
- Moradia
- Alimentação

Lucros nos Estados Unidos
- First Job (salário x nº de horas trabalhadas x semanas lá)
- Second Job

Boa sorte na elaboração do seu orçamento. Lembrando que geralmente, ao entrar em contato com uma agência, eles podem fazer isso para você. Peça orçamentos em todas as agências que lhe interessam e compare-os.


Porém, se você não quer perder tempo nem se cansar desenvolvendo um orçamento próprio, tenho um EXCLUSIVO orçamento feito no Excel. Basta alterar os valores e voilá, seu orçamento pronto em alguns minutos. E você ainda leva INTEIRAMENTE grátis os valores calculados do Self Placement da IE Intercâmbios, do Free Style da BEX e do Park City da Cultural Adventure!!! E basta apenas UM comentário para conseguir tudo isso! Não perca essa oportunidade!!!! Peça logo o seu!

(erm... é... Polishop demais...)

quinta-feira, 8 de março de 2007

Toca telefone. Toca logo

Naquela ligação ocorrida no meio do Tribunal do Júri, semana passada, eu tinha agendado minha entrevista de inglês (aquela, que determina se você suck, se é kinda nice ou se é very good) para segunda-feira, 5 de abril, às 16h30 da tarde. Consegui esquecer a ansiedade (e a entrevista) durante a semana. Mas quando segunda chegou...

A entrevista era só no que eu conseguia pensar. Mentalmente fui treinando meu inglês, sendo minha própria interrogadora e interrogada. Manhã na aula (...porcaria de aula de Processo Civil que não acaba...), tarde assistindo audiência do Juizado Especial (...porcaria de professor de Prática Jurídica e suas exigências de cinco termos comprovando que se assistiu as audências...). Finalmente... Hora de voltar pra casa. Correndo, porque estava em cima da hora. E foi em cima, de 16h30 eu estava abrindo a porta de casa e agoniadamente questionando a todos se alguém havia me ligado. Diante da negativa, relaxei um pouco e vim para o computador, ver se não havia nenhuma comunicação da IE. Nada. E nada do telefone tocar também. Passou-se vinte minutos. E ainda nada. Não aguentando mais esperar, liguei.

Uma moça muito simpática me atendeu. Perguntei por Caio, o atendente que havia me ligado antoriormente e marcado a entrevista. Ele estava ocupado. Ocupadissímo. As vagas do Work Experience tinham acabado de abrir. Mas ela ia me passar para Dani, que também trabalhava com o Work. Pronto. A entrevista escrita estava a caminho. Eu tinha apenas trinta minutos para respondê-la. Mas... E se fosse dificil? E se eu não soubesse de uma palavra? Trinta minutos me pareciam tão pouco... O email chegou. Abro-o, nervosamente, sempre acompanhando o relógio.

Primeira pergunta: Please describe what you do on week days? Regularly.

Parece simples. Assim como as outras sete também o foram. Respondi tranquilamente, conferi minhas respostas, completei algumas, modifiquei outras, até consultei uma palavra no dicionário para confirmar se estava corretamente escrita. E ainda tinha dez minutos de prazo sobrando.

Enviei a resposta e aguardei a ligação para o teste oral. Faz tempo que não falo inglês, só escrevo. Será que eu ia falar direitinho? Será que iam me compreender bem? O telefone não tocava. Ou melhor. Dava um toque e parava. Imaginando ser a IE, mas sem ter certeza, tudo o que eu fazia era correr para o telefone cada vez que ele pensava em tocar. E nada ainda. Dez minutos, vinte minutos, meia hora... e nada. Quarenta minutos, o telefone toca... mas a ligação cai. Maldito Murphy! Porque você teve que nos conscientizar das leis sacanas que regem o universo? A ignorância pode ser uma benção sim. O telefone toca... Desanimada já e cansada de tantas corridas, deixo tocar. Vai cair mesmo. Mas o dessa vez é insistente. Um toque. Dois. Três. E continua tocando... Corro pro telefone. É o Caio. Viva. Ou não...

Depois de uma troca rapida de cumprimentos educados, largamos o português e vamos para a tal entrevista. Quase as mesmas perguntas do teste escrito, com mais umas originadas das respostas e outras de conversas anteriores sobre o programa. Finalmente o teste termina. Eu tenho um nível bom! Eu tenho um nível bom! Posso participar de Job Fair e ir tranquilo de Self. Eu tenho um nível bom!!!!! Weeeeee! Yipee!! YAHOOOO!!! USA, here I come!!!!